Poemas

Versos Malandrinhos
Os versos são livres
O poeta não
Versos rodopiam
Entram
Saem
Por onde e quando bem entendem
E o poeta luta.
Os versos embaralham as letras
O poeta puxa une desenrola
Eles voam e se escondem por trás da razão
Poeta feito doido ainda insiste
Luta transpira
Enlouquece mais um pouco
Por fim, adormece sono profundo.
Quando acorda, lá estão
Pousados na folha onde e como quiseram ficar
O poeta, coitado, pensa ser de sua autoria a obra
Desses malandros que embalam nossa alma e imaginação.


Tempo
Tempo de esperar
Tempo de olhar
Tempo de asas ao vento
Tempo de passos no chão
Tempo de não sei
Tempo de não querer
Tempo de olhar para dentro
Tempo de pousar lá no longe
Tempo aqui dentro lá fora
Tempo dos que riem e choram
Tempo de bombas-meninos
Tempo de meninas sem rosto
Tempo de ventre esperando
Tempo de vai e não volta
Tempo de novas palavras
Pousando nos fios risonhos
Tempo de duras palavras
Tempo de frio e calor
Tempo de olhar para o mundo
E cuidar do que restou


Quero
Quero o tempo infinito
Quero o tempo final
Quero da vida o inteiro
Da angústia a melhor parte.

Não quero formas perfeitas
Nem nada completo acabado
Quero o recomeçar de sempre
Com bússolas e mapas alados.

Então céu e terra
Todo e parte se unirão
No instante milésimo segundo
Tempo infinito afinal.


No Princípio...
No princípio era o nada
E do silêncio brotou o caos.
No princípio era ação
E da palavra surgiu a vida
No princípio já era o fim
E o início de tudo.


Eternidade
Era assim...
Como fora desde sempre
Pisando as pedras dos caminhos
Colhendo os espinhos das flores
Passava pela vida.
Ou seria a vida que passava por ela?

Fora assim
Como fora desde sempre
Mas como até o sempre tem fim
Já não passa pela vida
Agora vive
Para toda a eternidade.


O tempo outra vez
Outra vez a dúvida
Mais uma vez o medo
Medo de tudo
Medo do nada
Das horas cruéis
Do tempo esmagando sonhos
Outra vez o grito do silêncio
Cortando das horas
A doçura dos momentos.


Chuvas de minha vida
Chuva de verão
Tempestade
Barulhão
-Anda menina, corra pra baixo da mesa!

Canção de chuva fina
Que nos dias frios
Embalaram os sonhos da menina.

Já foi chuvisco, garoinha
Chuva de vento, de pedra; temporal
Hoje é chuva mansa e céu de arco-íris.


Menina
O raiar da primavera
Sorriso nos olhos
Ela espera na janela
Nada de especial
Apenas espera
Desabrochando espera
O raiar da primavera.


Renovação
O vento lambeu o mar
As ondas beijaram as pedras
O ventou soprou minha vida
Levando a poeira e as cinzas
Das duras horas incertas.


Lições
E a vida vagueia
Faceira
Ao sabor do vento.
E a vida trabalha
Lima, sofre
Ao sabor do tempo.
Até que chegue o momento
Em que se saboreie
As lições que a vida deixou.


E o tempo, o que?
Velocidade nas horas felizes
Eternidade nos tediosos segundos
Movimento nos amanheceres
E mansidão crepuscular.


Engano
Aprisionei o tempo
Nas garras do destino.
Ledo engano:
O tempo fugiu faceiro
Eu fiquei pelo caminho.


O Louco
O tempo
Esse poeta louco
Escreveu essas mal traçadas linhas
Em meio a um temporal.


A razão do poeta
O poeta tinha razão
Lutar com palavras
É a luta mais vã
Pois vem o tempo,
Esse inimigo
Agarrar os pensamentos
Antes que rompa a manhã.


As idades do tempo
Tempo de brincar
Tempo de aprender
Tempo de questionar
Tempo de arriscar

Tempo de parar
Tempo para amar
Tempo de agarrar o tempo
E VIVER antes de repousar