sábado, 31 de julho de 2010

Chá de sumiço

O clima de agitação política atingira o auge. As discussões fervilhavam nas ruas, nos bairros, nas esquinas. Depois de uma longa hibernação, as pessoas voltavam a discutir, a "criticar" os problemas nacionais. Os meios de comunicação cumpriam sua nobre função; acender a discussão aqui, amenizar ali.
Mas o que realmente comoveu os expectadores atentos foi a grande passeata de jovens estudantes que parou a avenida mais movimentada do país. Aquele bando de jovens, movidos por uma "força estranha" foram às ruas para protestar contra o lodaçal que viera à tona, inundando o meio político. Ostentavam seus ideais através de faixas, gritos discursos e cores estampadas no rosto.
Os veteranos mais eufóricos não continham a emoção. Tudo o que sempre sonharam, aquele grito preso na garganta. Estava acontecendo naquele momento. A vista de todos: na TV, nas revistas, nos jornais. O "bicho-de-sete-cabeças" fora morto e a consciência ressuscitara. Estava nascendo uma juventude politizada - como nos velhos tempos - que discute os problemas, aponta soluções, muda o rumo da história.
No entanto, um estranho fenômeno acometeu esses jovens. Sim, porque, pelo que tudo indica, desapareceram do mapa. O bicho terrível está fazendo barbaridades por aí e nem sinal de protesto, de discussão, de ação consciente. Será que a febre foi tão forte alta que eliminou os iminentes cidadãos? Ou será que foram raptados por seres alienígenas? Não sei, o fato é que aqui não estão.

Matilde Espindola

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